News nº 37 | Outubro 2013
Reportagem / Perfil
O que faz um técnico de Anatomia? Entrevista ao Dr. Pedro Henriques



 Dr. Pedro Henriques 
Técnico de Anatomia
Instituto de Anatomia da FMUL



Quais são as principais actividades que desenvolve no Instituto de Anatomia? 


As minhas principais funções específicas estão directamente ligadas ao funcionamento do Teatro Anatómico, desde a recepção dos cadáveres, à sua preparação e rentabilização. Neste momento, está em processo de conclusão o novo laboratório de plastinização do qual sou o responsável, sob a orientação do Professor Doutor Gonçalves Ferreira. No entanto, como muitos outros trabalhadores, sou totalmente polivalente, desempenhando outras tarefas no Instituto de Anatomia. 


Em que medida a sua actividade contribui para a formação de novos médicos?                                       

A nível da preparação de peças humanas, por exemplo, é extremamente importante que estejam bem preparadas, visto que os alunos estudam com base nessas peças. Assim, quanto melhor for a preparação das peças, melhor será a forma como os alunos estudam e, como consequência, ficarão mais bem formados. 


Qual o percurso de um cadáver desde a sua chegada ao Instituto até à sua saída?    
                                             

No momento em que o cadáver é recebido, é necessário fazer uma primeira avaliação para ver qual é a finalidade/utilidade do mesmo. Em seguida, é lavado e preparado para ser acondicionado numa câmara de congelação ou refrigeração. Cada cadáver é único, com diferentes utilidades, preparações e destinos, consoante as necessidades do Instituto de Anatomia. Em geral, o cadáver segue para aulas de dissecação, cursos pós-graduados ou para a preparação de peças/modelos anatómicos. Todas estas actividades são realizadas no Teatro Anatómico e esta utilização é sempre rentabilizada ao máximo, para que haja uma maior valorização de cada cadáver. Este pode nem chegar a sair do Instituto de Anatomia, pois até os ossos podem ter aproveitamento para o ensino da osteologia. 


Qual o tempo médio que um cadáver permanece no Instituto? 

Esta questão não é muito fácil responder de forma precisa, pois, como referi anteriormente, cada cadáver é único. Ou seja, os cadáveres têm durabilidades completamente diferentes e, em alguns casos, podem nunca chegar a sair do Instituto de Anatomia. 


Pode dizer-nos em que consiste a técnica de plastinização? E quais são as suas diferentes fases? 

A técnica de plastinização consiste, essencialmente, na substituição da água presente nos tecidos por um tipo de silicone ou poliéster. 
Este processo é realizado através de três passos distintos: a desidratação, a impregnação e a polimerização ou cura. 
A desidratação é feita a frio (-20°C) para haver uma menor retracção das estruturas tecidulares, uma vez que é efectuada por meio de acetona. Após a desidratação, segue-se a impregnação, que também é realizada a frio, mas num recipiente com características especiais, porque é necessário fazer uma enorme pressão de vácuo. Ao fazermos o vácuo vamos retirar a acetona presente nos tecidos e, como há uma pressão negativa elevada, vai haver uma entrada forçada do silicone para os espaços que a acetona deixou livre. A técnica de plastinização é finalizada com a polimerização ou cura, que é feita através de um vapor criado por um líquido específico.
Toda a técnica de plastinização desenvolve-se num laboratório adequado e preparado para o efeito, por haver a manipulação de líquidos extremamente inflamáveis. 


Na prática, os corpos são doados em vida, por vontade da própria pessoa. Contudo, a plastinação pode levantar alguns problemas de carácter moral, ético e religioso. Como é que, na sua opinião, a comunidade científica gere esta questão? 

Em todos os trabalhos que se podem desenvolver a partir de um cadáver existe, acima de tudo, um enorme respeito e todos os intervenientes são alertados nesse sentido. 
Relativamente à plastinização, esta não levanta mais problemas, pelo facto de também existirem preparações anatómicas conservadas em formol, a plastinização apenas é um meio de preservação diferente. Na minha opinião, é muito mais elucidativo e permite aos alunos terem contacto directo com a preparação e, a partir dessa preparação das peças anatómicas, terem um melhor ensino. É preciso referir que tanto as preparações anatómicas conservadas em formol, como as plastinizadas são para uso exclusivo do Instituto de Anatomia, apenas com fins científicos e educativos.
 
Pesquisa

Pesquise sobre todas as newsletters já publicadas pela FMUL

  PESQUISAR 

Subscrição

Subscreva a nossa Newsletter e receba todas as informações actualizadas sobre actividades, notícias, eventos e outras acções relevantes da FMUL

  

  ENVIAR 

Propriedade e Edição: Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa
Periodicidade: Mensal
Diretor: Prof. Doutor Fausto J. Pinto
Conselho Editorial: Prof. Doutor Fausto J. Pinto, Prof. Doutor Mamede de Carvalho, Profª. Doutora Ana Sebastião, Prof. Doutor António Vaz Carneiro, Prof. Doutor Miguel Castanho, Dr. Luis Pereira
Gestor de Informação: Ana Raquel Moreira
Equipa Editorial: Ana Cristina Mota, Ana Raquel Moreira, André Silva, Maria de Lurdes Barata, Rui Gomes, Sónia Barroso
Colaboração: Unidade de Relações Públicas e Comunicação - Bruno Moura
Conceção e Suporte Técnico: UTI 
Design e Implementação: Spirituc
e-mail: news@medicina.ulisboa.pt
Morada e Sede da Redação: Avenida Prof. Egas Moniz, 1649-028 Lisboa


Estatuto Editorial


Anotado na ERC