News nº 37 | Outubro 2013
Reportagem / Perfil
Entrevista com o Prof. Doutor Gonçalves Ferreira - Director do Instituto de Anatomia da FMUL
Entrevista com o Prof. Doutor Gonçalves Ferreira - Director do Instituto de Anatomia da FMUL







Newsletter: Antes de mais, gostaríamos de saber qual a génese deste instituto, a sua formação, os seus fundadores e os momentos mais marcantes da sua história?


Prof. Gonçalves Ferreira: A Anatomia é uma disciplina muito antiga. A primeira Escola Médica em Portugal apareceu em 1290, em Lisboa. Havia, na altura, três disciplinas-base e uma delas era a Anatomia. A Anatomia é, de facto (e não é só cá, é em todo o mundo), uma das disciplinas mais antigas da Medicina. Mas um serviço ou departamento da faculdade com uma estrutura própria chamado Instituto de Anatomia só surgiu no princípio do século passado. Este Instituto foi fundado em 1911, logo a seguir à República. O Professor Henrique Vilhena foi o grande mentor e o primeiro director deste Instituto. Foi director desde 1911 até 1948. Isto não quer dizer que não houvesse previamente disciplinas de anatomia com um peso muito grande na Faculdade de Medicina. A prova disso é que o anfiteatro de Anatomia da nossa Faculdade foi designado Anfiteatro José António Serrano, precisamente porque este professor de Anatomia dos finais do século XIX foi uma personalidade mundialmente conhecida; publicou nessa altura um tratado de osteologia humana que ainda agora é ocasionalmente referido.
O Instituto de Anatomia teve início em 1911 no Campo Santana, onde existia a antiga Faculdade de Medicina. Só quando foi criado o Hospital Escolar de Lisboa, mais tarde batizado Hospital de Santa Maria, é que veio para o local onde se encontra hoje. O Instituto teve vários diretores ao longo dos anos. A seguir ao Professor Henrique Vilhena, o diretor foi o Prof. Vítor Fontes, o feitor da grande mudança do Instituto das antigas instalações da Faculdade para aqui; ele foi director de 1948 a 1963. Nos anos 50, quando foi construído o Hospital Escolar, as instalações da Faculdade de Medicina passaram a ser neste local. Outro professor que também esteve muito tempo como diretor do Instituto de Anatomia foi o Professor Armando dos Santos Ferreira, de 1964 até 1991.

A cada um destes longos diretores corresponderam diferentes etapas, todas muito marcantes, na evolução desta casa. O Prof. Henrique Vilhena foi o fundador, conseguindo que uma simples disciplina de Anatomia se transformasse num departamento. No período de Henrique Vilhena e de Vítor Fontes desdobrou-se a Anatomia numa disciplina de Anatomia Descritiva e outra de Anatomia Topográfica e coabitavam então neste Instituto estudantes de diferente formação: medicina, farmácia ou de Belas-Artes. O muito conhecido escultor Soares Branco trabalhou aqui e produziu várias obras de arte anatómicas ainda existentes no Instituto. Este Instituto albergava então uma variedade de categorias profissionais além dos docentes, como era a de desenhador-fotógrafo. Ainda recordo bem o Henrique Restani, que foi o último desenhador-fotógrafo do instituto. Só após o 25 de Abril de 1974 a restruturação do Instituto, tal como a da Faculdade, teve lugar.

Muito antes disso, a primeira fase da vida do Instituto de Anatomia correspondeu à primeira metade do século XX, em que a Anatomia continuava a afirmar-se como uma das componentes básicas do ensino da Medicina. Depois, com a proliferação das novas disciplinas médicas básicas, morfológicas, funcionais e outras, e com o desenvolvimento da morfologia celular e, mais tarde, da medicina molecular, deu-se um gradual declínio da Anatomia Natural. A anatomia, naturalmente, teve que se adaptar e dar espaço à inclusão de todas essas disciplinas, cada vez mais importantes. Nunca deixou, porém, de desempenhar o seu papel fundamental, mas restringiu a sua importância, sobretudo no respeitante ao detalhe descritivo das estruturas do corpo humano. A partir dos anos 50/60 até aos anos 70/80 do século passado a Anatomia teve claramente um declínio progressivo, e isso saldou-se até na fragmentação das sociedades anatómicas numa variedade de sociedades científicas, cada uma delas vocacionada para um foco mais específico.

A partir dos anos 70/80, por todo o mundo (e cá também), assistiu-se a um renascer da Anatomia, sobretudo numa feição aplicada e clínica, nomeadamente à cirurgia e à imagiologia. Isto aconteceu por diversas razões: por um lado, porque se tornou necessário que clínicos, sobretudo cirurgiões e radiologistas, soubessem mais de anatomia do que sabiam antes. Por outro lado, porque os velhos livros de anatomia eram baseados na descrição de um número limitado de casos de forma isolada. Por último, porque a anatomia tinha de deixar de exigir um conhecimento de tipo enciclopédico e tornar-se consentânea com um ensino mais integrado da medicina. Surgiu, em todo o mundo, uma nova anatomia - a Anatomia Clínica - que é uma anatomia aplicada, essencialmente à clínica e à imagiologia. A imagiologia, sobretudo a partir dos anos 70 e 80, com o aparecimento da TAC e da Ressonância Magnética, isto é, dos grandes meios de imagiologia no vivo, fez renascer a chamada imagiologia anatómica, na realidade a anatomia no vivo; tornou-se assim absolutamente necessário, nos curricula das várias faculdades de medicina, fazer este tipo de aproximação entre o ensino da anatomia e da imagiologia. É o caso do atual curriculum formativo do curso de medicina na nossa faculdade, em que a imagiologia anatómica, normal, é aprendida pelos alunos de medicina com a anatomia. Para isso colaboramos atualmente com o Professor Jorge Campos, responsável pela imagiologia na FMUL e pela ligação da área à anatomia.

Este renascimento da anatomia de feição mais clínica teve uma projeção muito grande em todo o mundo com o surgimento de Associações de Anatomia Clínica. Nos EUA e na Europa multiplicaram-se as sociedades deste tipo, sobretudo sociedades supranacionais. Por exemplo, na Europa, existem duas muito importantes que são a Associação Europeia de Anatomia Clínica, EACA (European Association of Clinical Anatomy) e a BACA (British Association of Clinical Anatomists). Desde muito cedo na minha carreira docente, porque a minha carreira foi sempre dupla - académica na Anatomia e clínica na Neurocirurgia - interessei-me por esta relação interdisciplinar e sempre achei que o futuro está na interligação entre áreas científicas e técnicas afins. Ora, esta ligação é cada vez maior, pois há muita gente a fazer trabalhos de investigação de anatomia orientados para a clínica. Isto levou a que tenhamos tido uma participação cada vez maior nessas estruturas internacionais como a EACA. A ponto de ter decorrido em junho deste ano, na nossa faculdade, o Congresso Europeu de Anatomia Clínica, que foi organizado em conjunto com a Associação Britânica e contou com centenas de participantes de todo o mundo. Nele fui eleito presidente da EACA para os próximos dois anos.




 

Newsletter: Actualmente, quais são as principais actividades desenvolvidas no Instituto de Anatomia, quer ao nível do ensino, da investigação e da prática clínica?

Prof. Gonçalves Ferreira: Ensino e investigação: o ensino há muito tem sido feito, como já no tempo dos meus antecessores, por docentes com formação clínica. Ou seja, todos os professores e assistentes que aqui trabalham são pessoas que têm também actividade clínica, o que é, do ponto de vista pedagógico, muito importante e positivo, pois têm uma natural capacidade e tendência para fazem um ensino mais pragmaticamente orientado para a clínica. Contudo, tem um inconveniente: as pessoas com atividade clínica, porque na sua maioria não estão aqui em full-time, têm menos disponibilidade do que noutras disciplinas básicas para fazerem investigação, em geral não são profissionais da investigação, nem podem ser. Aliás, a investigação que se faz num departamento básico de ciência aplicada, como no caso da anatomia, vocacionada essencialmente para a anatomia clínica e imagiológica, é sempre uma investigação que tem que ser realizada pelos médicos em tempo parcial. Só se pode investigar, isto é, procurar dar resposta científica a problemas por resolver, em áreas que o investigador conhece no seu conjunto. Só se consegue pesquisar numa área que se domina. Por exemplo, o Professor Ivo Furtado, que está numa área clínica específica – a estomatologia - tem feito investigação anatómica nessa área. O que tem sido feito, nos últimos anos, é este tipo de investigação de orientação clínica, mas com aspetos básicos, laboratoriais, incluídos. O principal domínio da investigação aplicada tem sido o sistema nervoso. Neste âmbito existem presentemente três projetos concretos sob minha orientação: um que irá culminar, até ao final do ano, numa tese de doutoramento; outro numa tese de mestrado; e outro que está agora a ser iniciado. Outra área de investigação que está a ser desenvolvida, neste caso pelo Prof. Ivo Furtado é a área da anatomia dentária.

Mas grande parte da atividade deste Instituto é letiva, porque no Instituto se ensina a anatomia do curso de medicina da FMUL ao longo de 3 módulos e um tronco comum, da Licenciatura em Ciências da Saúde e da licenciatura em Engenharia Biomédica. Tudo isto corresponde a muitas aulas, tanto no primeiro como no segundo semestre.

Há uma outra parte da atividade letiva que, até agora, tem estado inactiva mas com o novo Teatro Anatómico vai arrancar - a anatomia especializada. Hoje, esta não é a anatomia dos alunos de medicina pois, para estes, a anatomia que se exige tem menor pormenor morfológico e maior aplicação à função e à clínica. O pormenor anatómico é fundamental para o ensino pós-graduado das diferentes especialidades médicas. Por exemplo, a Ortopedia tem imenso interesse no estudo detalhado dos ossos e articulações; as neurociências clínicas (Neurologia, Neurocirurgia, Neuro-imagiologia) têm muito interesse em tudo o que diz respeito ao sistema nervoso central. Em todo o mundo, há cada vez mais cursos práticos pós-graduados de anatomia aplicada; dou-vos um outro exemplo: na semana passada estive dois dias em Gent, na Bélgica, a dar aulas teóricas e práticas na segunda edição de um curso europeu de cirurgia da epilepsia; o meu papel era mostrar a anatomia relacionada com um conjunto de técnicas cirúrgicas. As aulas práticas decorreram todas no teatro anatómico da Faculdade de Medicina de Gent. Também para o nosso novo Teatro Anatómico temos projetos para pôr em prática, cursos deste e de outros tipos, normalmente conhecidos no mundo inteiro como cursos hands-on, interessando várias especialidades.



 


Newsletter: O Teatro Anatómico foi inaugurado no passado dia 12 de Junho. Como é que se sente ao vê-lo praticamente terminado e que expectativas tem em relação a ele?

Pro, Gonçalves Ferreira: O Instituto de Anatomia com o novo Teatro Anatómico devidamente equipado está finalmente pronto para ser utilizado no ensino prático pré e pós-graduado e na investigação. Foi ótimo concluir este projeto. Era um projecto fundamental para nós Instituto e para a Faculdade. Durante anos, fomos a única faculdade de medicina no país onde não havia dissecção de cadáveres, indispensável para os alunos aprenderem melhor a anatomia, de forma directa. Desde há muitos anos lembro-me de ter visitado diversos institutos de anatomia estrangeiros para ver como eram e retirarmos as ideias melhores para aqui aplicarmos. Há 17 anos, eu e o professor João Paço, os dois ainda assistentes, fomos a Barcelona, visitar um Novo Teatro Anatómico, um exemplo a seguir “em breve” em Lisboa. Mas esta “brevidade” foi-se adiando…até agora. Entretanto, houve alguns aspetos da remodelação que se tornaram complicados de resolver, nomeadamente a mudança da legislação europeia em vigor, que se tornou muito mais complexa. Por exemplo, antigamente conservávamos vulgarmente os corpos em formol, mas agora é impossível, dado o caracter tóxico que o formol tem; hoje não é possível fazer um Teatro Anatómico sem um sistema de ar condicionado especial, de preferência com um fluxo laminar, como os blocos operatórios, um sistema de mesas de autópsia especiais, entre muitas outras especificidades. Uma simples renovação transformou-se afinal numa reconstrução desde a estrutura das paredes até ao equipamento sofisticado, com um valor dez vezes maior. Claramente mais inatingível, em termos logísticos e financeiros, agravados com a crise nacional e internacional. Felizmente fez-se a obra e, neste momento, temos um teatro anatómico pronto. Falta algum equipamento menor, que está previsto ser adquirido sucessivamente nos próximos anos, mas o principal está feito o que nos permitirá – assim que tivermos um número razoável de corpos e de órgãos doados – fazer um melhor ensino e uma melhor investigação. 

Uma das coisas que mais marcam na anatomia é o contacto directo com o cadáver, aprender a dissecar, aprender a lidar de uma forma deontologicamente correta com os corpos que estão à nossa disposição para investigar e para estudar. Infelizmente nem sempre assim sucedeu porque os materiais e equipamentos foram-se deteriorando e durante anos os alunos viram esta prática restringida à disseção de pequenos órgãos isolados. Era importantíssimo que fosse retomada a grande disseção. O anterior Reitor da Universidade de Lisboa, Sampaio da Nóvoa, foi muitíssimo sensível a isso, o que tornou ultimamente o processo mais célere. E a Faculdade teve um papel muito importante, nalguns aspetos mesmo decisivo.
Os cadáveres que receberemos para estudo e investigação são de uma lista de dadores. A lei portuguesa, neste momento é muito favorável à doação de órgãos e cadáveres, desde que a pessoa não se tenha previamente negado, registando-se na lista oficial de não dadores; e nenhuma declaração oficial de doação do corpo deve ser contrariada. Mas, mesmo assim, se a família se opuser determinantemente, não devemos insistir; a sensibilidade de cada pessoa e de cada família relativamente a esta questão é muito variável e tem de ser respeitada. Temos, actualmente, uma lista de mais de 300 pessoas inscritas que querem fazer doação do seu corpo. 

Conseguimos também, com a compreensão da Reitoria e da Direção da Faculdade que, apenso ao novo Teatro Anatómico, fosse construído, em duas salas do piso de baixo, um laboratório de plastinização. Os órgãos anatómicos plastificados ou plastinizados, são hoje um material de ensino cada vez mais importante, no mundo inteiro, pelo limitado número de cadáveres disponíveis. Um dos nossos técnicos foi fazer o curso ao estrangeiro para aprender esta técnica. Conseguiu-se o equipamento básico e as instalações para fazer esse laboratório que vai arrancar dentro em breve, sendo o primeiro laboratório do género em Portugal.



Newsletter: Relativamente à formação dos futuros médicos, quais são as metas que se estabelecem na sua formação, no que diz respeito ao ensino da Anatomia?

Prof. Gonçalves Ferreira: Pretende-se que os alunos conheçam a anatomia do corpo humano num sentido funcional e com um nível de profundidade moderado. Não a anatomia no pormenor, como já disse, mas também não só a generalidade. Porque a anatomia tem vários papéis em relação ao aluno de medicina: o primeiro grande papel é o contacto com o corpo humano e a primeira grande finalidade do ensino é os alunos conhecerem o corpo humano. Mas não só, outra finalidade é conhecerem a terminologia anatómica e médica; a anatomia é a primeira grande disciplina no início do curso de medicina em que os alunos conhecem os termos médicos e a designação das várias partes do corpo, desde as coisas grandes até às mais pequenas. Há outras finalidades no ensino da medicina, sobretudo no ensino prático, em que se tem contacto directo com o material anatómico. É importante que os alunos de medicina aprendam a trabalhar com a variabilidade, porque as coisas não são iguais em toda a gente e, portanto, a anatomia que vem nos livros é a anatomia da média, da moda (estatística), isto é, do que é mais frequente. Relacionada com esta noção da variabilidade, há outra que é muito importante – a distinção entre o normal e o patológico. Uma outra finalidade do ensino da Anatomia é que os alunos sejam estimulados para a investigação, para dar resposta a questões científicas ainda por resolver.

Um dos primeiros desafios da Anatomia Aplicada surgiu nos anos 60/70, com o aparecimento do microscópio cirúrgico, um instrumento fundamental para muitas operações. Quando muitos anatomistas, no princípio da microcirurgia, começaram a ver o que é que estava descrito acerca dos pormenores da maior parte dos órgãos da anatomia humana, chegaram à conclusão que se conhecia muito pouco. Ou seja, a maior parte das descrições anatómicas eram descrições macroscópicas, de conjunto de órgãos e de sistemas, mas não se sabia quais as variações específicas de determinadas estruturas. E a variante mais habitual corresponde a que percentagem de casos? 80%, 90%? Esse tipo de informação, muito importante quando um cirurgião observa com um microscópio uma qualquer zona do corpo e vai dissecar uma estrutura fina, pequena, é decisiva porque nos prepara para o detalhe e as varações com que tem de se defrontar. A anatomia tem, hoje esse novo papel, é a anatomia microcirúrgica, um dos campos em que há um renascido interesse pela anatomia. Quando se diz que a anatomia é uma ciência fixa, imutável, é-o de facto nas grandes matérias, mas não no pormenor. O ensino para os alunos de medicina não deve ser apenas generalidades, mas também não pode ser tão profundo em detalhe morfológico como era há 50 anos atrás; tem que ser mais integrado com a função e a clínica, havendo assim uma necessidade de ir mais ao detalhe nas diferentes especializações médicas. A anatomia tem hoje no ensino das especialidades médicas um papel mais importante, compensador do menor peso que tem na formação básica da medicina.



Newsletter: Realizou-se, nos passados dias 26 a 29 de Junho de 2013, na FMUL, o European Joint Congress of Clinical Anatomy. Que importância tem, a nível nacional, a realização deste importante evento científico, que congrega algumas das principais autoridades de todo o mundo na área da Anatomia?

Prof. Gonçalves Ferreira: Acho que a realização deste congresso foi muito importante por várias razões: porque foi uma oportunidade de os colegas de todo o país se fazerem notar, apresentarem os seus trabalhos, conviverem e atualizarem conhecimentos. Foi também uma oportunidade de estar com colegas, muitos deles gente famosa e de referência na respetiva área, vindos do mundo inteiro. Foi ainda uma oportunidade de afirmar internacionalmente a nossa Faculdade. Estes Congressos Europeus de Anatomia Clínica são geralmente feitos em universidades de grande prestígio. O simples facto de ser feito entre nós quer dizer duas coisas: que a nossa faculdade é considerada uma faculdade de prestígio e que as pessoas responsáveis pela organização são pessoas credíveis na respetiva área e na respectiva especialidade. A Faculdade de Medicina e o Instituto de Anatomia foram muito considerados, a ponto de lhes ter sido entregue a organização deste congresso.
Houve uma pressão muito grande, minha e da faculdade, para a inauguração do novo Teatro Anatómico ocorresse uns dias antes do congresso porque, apesar de ainda não ter cadáveres, foi possível trazer muitos convidados e apresentar-lhes este nosso novo espaço, que é um Teatro Anatómico pequeno (em termos europeus) mas muito bom e se ajusta perfeitamente às nossas necessidades.

Qual considera ser o contributo deste Instituto de Anatomia no seio do próprio Centro Académico de Medicina de Lisboa?
Há um papel absolutamente imprescindível, que consiste na renovação e a atualização do ensino da medicina. É muito importante que os alunos de medicina aprendam bem a anatomia e que esta lhes seja ministrada de forma prática, o que implica incluir disseção anatómica.

O papel da anatomia é tão importante como antes na formação pré-graduada, apesar de sucessivamente reformulada e com um cariz diferente do que tinha há 50 ou 100 anos atrás, e cada vez mais importante na formação pós-graduada. Nós vamos ter, a partir do próximo ano, um número crescente de iniciativas, de cursos, de acções de formação pós-graduada nas diferentes especialidades a decorrer aqui no novo Teatro Anatómico. Ainda agora, durante este curso hands-on de cirurgia da epilepsia em que estive na semana passada, direcção da Sociedade Europeia de Neurocirurgia Funcional me propôs fazer aqui no Instituto de Anatomia, dentro de dois anos, um curso europeu sobre as bases anatómicas desta cirurgia; ora, esta é uma coisa proposta interessante, pois tal não é possível em muitos sítios da Europa. Temos a felicidade, através da experiência, minha e das pessoas que trabalham comigo, de termos uma grande integração básico-clínica que não existe em muitos outros sítios, em que os departamentos de anatomia estão completamente divorciados da clínica. Devemos estimular esta integração, quer a nível do pré quer do pós-graduado, que é um campo com perspectivas extraordinárias.
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