News nº 31 | Janeiro 2013
Nota Editorial
Mensagem do Director da FMUL por ocasião do Novo Ano
Mensagem do Director da FMUL por ocasião do Novo Ano

No programa de candidatura a um novo mandato na direcção da Faculdade apresentado no ano que termina, tive a oportunidade de salientar a importância da reorganização do sistema universitário português, que resumi no seguinte conceito: o País precisa de menos e melhores Universidades

O projecto de fusão da Universidade de Lisboa (UL) com a Universidade Técnica de Lisboa (UTL), em vias de concretização efectiva, representa um passo fundamental nessa direcção e marcará certamente o começo duma reestruturação na Universidade de Lisboa. É um desafio para a nossa Faculdade que, na nova Universidade, deverá constituir um pólo fundamental de desenvolvimento nas Ciências da Saúde e da Vida, assim como constituir referência no exercício de uma Medicina Clínica de vanguarda ao serviço da Comunidade. 

Em coerência com a acção desenvolvida nos últimos anos, entendo que é fundamental para a estratégia de afirmação da Faculdade de Medicina na futura Universidade de Lisboa a consolidação do consórcio Centro Académico de Medicina de Lisboa (CAML), de modo a promover o exercício pleno da nossa tríplice missão institucional: ensinar, tratar e investigar

Assim, considero indispensável assegurar a melhor cooperação com as instituições parceiras neste consórcio, o HSM-CHLN e o IMM e, em conjunto, procurar obter um novo enquadramento legal que confira ao Centro Académico de Medicina de Lisboa capacidade de acção, financiamento e reconhecimento orgânico efectivo, de modo a consolidar posição cimeira no panorama científico nacional e assegurar relevância no contexto internacional.

O desenvolvimento da investigação científica foi um objectivo prioritário da Faculdade nestes últimos anos, quer através da acção do IMM, constituído a partir de institutos e centros de investigação da Faculdade e que contribuiu decisivamente para um novo patamar qualitativo na pesquisa biomédica, como dos outros centros de investigação ligados às ciências básicas e às clínicas universitárias e que não integram o IMM. 

Não obstante as limitações financeiras que marcaram o ano 2012 e que são do conhecimento público, a Faculdade continuou a assegurar o apoio financeiro e logístico indispensável ao normal funcionamento do IMM no edifício Egas Moniz (EEM), apoiou o desenvolvimento do novo Biotério, do BIOBANCO–IMM, também localizados no EEM, e o Centro de Investigação Clínica do CAML, que se encontra em processo de instalação e organização. Participou activamente, também, na captação e instalação de novos grupos de investigação em estreita colaboração com o IMM e o HSM e que se fixaram no EEM. 

O Programa GAPIC continuou a merecer todo o apoio institucional e interesse da Faculdade, conseguiu obter financiamento adicional para a sua acção, que culminou com o Dia de Investigação na FMUL, expressão do empenhamento na investigação como componente indissociável de um ensino moderno, actuante e mobilizador dos estudantes para a dimensão científica da Medicina.

A construção do edifício Câmara Pestana é considerada uma prioridade.
Constrangimentos financeiros alheios à Faculdade conduziram à interrupção das obras, facto que somado ao atraso de anos na autorização ministerial e dotação financeira para a sua construção, representa, de facto, uma limitação indesejável no crescimento da nossa instituição, na capacidade de promover novas iniciativas já programadas e aumentar a capacidade institucional de atracção de novos grupos e projectos de investigação. 

Em estreita cooperação com a Reitoria da UL temos desenvolvido todos os esforços para ultrapassar esta dificuldade e retomar a construção no mais breve espaço de tempo possível, de modo a cumprir a meta ambiciosa de completar a obra em 2013, se possível, ou durante o primeiro semestre de 2014. 

Há um plano para o aproveitamento do novo edifício, claramente definido no programa de acção que foi aprovado pela Assembleia da Faculdade e que enunciei oportunamente:
    • Proporcionar hub para a instalação de equipas de investigação em áreas de Convergência das Biociências com a Medicina e a Bioengenharia
    • Criação de Centro Integrado para as Neurociências, Centro de Doenças Cardiovasculares e Centro de BioImagem com RMN funcional 3 T
    • Instalar o Centro de Simulação Médica com objectivo de promover treino e upgrade de competências práticas dos Profissionais de Saúde, visando a segurança do doente e, simultaneamente, constituir núcleo de investigação neste domínio.
    • Localizar o Centro de Investigação Clínica em cooperação com o HSM e o IMM, já referido, e com capacidade para a organização de estudos clínicos relevantes.
    • Tornar o edifício sede para a instalação de novos grupos de investigação.

No ano de 2012 completaram-se os primeiros cinco anos da reestruturação do Ensino no Curso de Medicina, convertido, por imposição legal, em Mestrado Integrado. 

O objectivo prioritário da FMUL é ensinar para a profissão médica, educar na Ciência e na Cultura, promover conhecimento e inovação pela Investigação e formar homens e mulheres livres, capazes de contribuírem de forma útil para o desenvolvimento do seu Pais. A nossa missão foi claramente enunciada: 


A reforma permitiu modernizar a organização curricular com áreas integradas de ensino e teve como objectivo facilitar a aquisição de competências profissionais, da comunicação ao exercício clínico, da formação ética à dimensão social da Medicina e à Saúde Pública, baseadas em sólida educação científica, traduzindo visão unitária e integrada da educação pré-graduada orientada para a Medicina Clínica. 

Promoveu-se uma maior interligação da ciência fundamental com a clínica pela criação de áreas de intervenção pedagógica como Neurociências, Microbiologia e Infecção, Oncobiologia, Introdução à Medicina da Mulher e da Criança e Introdução às Doenças do Envelhecimento. 

A direcção da Faculdade tem mantido acompanhamento e avaliação da eficácia do ensino, da performance e satisfação dos discentes, cuja colaboração através das estruturas próprias da Associação de Estudantes tem sido essencial e muito útil, o que nos permite comprovar que a estratégia de acção foi correcta e permitiu à FMUL posicionar-se como instituição liderante no processo de modernização do ensino, precedendo outras instituições nacionais congéneres que também optaram por desencadear processos de reforma do seu currículo pré-graduado. 

Foi possível manter toda a rede de cooperação inter-institucional para o ensino pré-graduado através da manutenção, renovação e celebração de novos protocolos de afiliação e cooperação que possibilitam oferta educativa mais diversificada e asseguram maior e melhor capacidade de intervenção pedagógica da Faculdade.

Melhoraram-se os espaços de estudo para os alunos do Curso de Medicina e da formação pós-graduada; estão em fase de conclusão as obras de recuperação do Teatro Anatómico, o que permitirá um salto qualititativo no ensino pré e pós graduado de Anatomia. 

A formação avançada é uma prioridade e também uma responsabilidade da Faculdade. 

Em reunião recente do Conselho Científico, foi feito um levantamento da situação actual da Formação Avançada na Faculdade de Medicina, a qual revela alguma estagnação na procura e na oferta de novos programas que correspondam a necessidades efectivas da Comunidade. Com efeito, é indispensável suscitar novas iniciativas no âmbito dos Cursos de Formação Avançada, em áreas de interdisciplinaridade, reforçando a cooperação entre a ciência fundamental e a medicina clínica e procurando corresponder à necessidade de qualificação profissional no âmbito das profissões da Saúde. Assim como, devemos reforçar a nossa colaboração com a Escola de Tecnologias da Saúde de Lisboa e estabelecer ligações efectivas com a Escola de Enfermagem de Lisboa. 

Este é um desafio que teremos que ganhar já em 2013 e para o qual o Instituto de Formação Avançada (IFA) dispõe da competência organizacional necessária. 

O programa doutoral que decorre sob a égide do CAML e que materializa um objectivo claramente assumido pela direcção da Faculdade, constitui expressão inequívoca da colaboração das instituições que constituem o CAML e do seu compromisso para o fomento e qualificação da investigação biomédica e clínica.

Neste sentido, 2013 será um ano decisivo, não obstante as dificuldades financeiras que se perspectivam. A FMUL tem prosseguido uma política rigorosa de controlo de contas, renegociou muitos contratos de prestação de serviços e concretizou modernização administrativa e rentabilização funcional dos seus quadros administrativos, que nos permitirão assegurar os nossos objectivos fundamentais: prestar serviço de qualidade no ensino e no apoio à investigação científica e fazer face aos encargos daí resultantes. 

Teremos que estar preparados para corresponder ao desafio da nova Universidade de Lisboa resultante da fusão UL/UTL. Precisamos de incrementar as ligações com o IST no âmbito da continuidade do Mestrado Integrado em Engenharia Biomédica, no novo programa de Mestrado em Tecnologias Biomédicas, já aprovado oficialmente, bem como em novas parcerias e projectos de investigação comuns. 

Mas é fundamental reforçar a cooperação também com as outras Escolas da UL e da UTL na área das Ciências da Vida e da Saúde, pelo que iremos propor a realização duma iniciativa científica comum a concretizar durante o próximo ano de 2013.
A necessidade de dinamizar a oferta educativa na Formação Avançada, mobilizando as clínicas universitárias e os institutos de ciência básica, tendo como objectivo a melhoria da qualificação profissional e aumentando o interesse pela actividade científica é, sem dúvida, uma prioridade que desejo reafirmar e para a qual peço o interesse e empenhamento dos docentes da FMUL.

O modelo de escola médica que defendemos requer integração real entre a ciência biomédica fundamental e a clínica, por isso é fundamental a instalação hospitalar nuclear moderna e comprometida com o ensino e a investigação. Como tal, continuaremos a pugnar pela consolidação do CAML e pelo desenvolvimento do HSM – CHLN como grande instituição de referência nacional indispensável para o progresso da Faculdade. Procuraremos reforçar a rede de instituições afiliadas, a qual constitui uma oportunidade adicional para a investigação.

Será pela concretização desta estratégia que poderemos cumprir os nossos objectivos de afirmação científica na nova Universidade de Lisboa, continuar como uma instituição de referência no ensino e na investigação e assegurar à Comunidade uma Medicina Clínica de excelência.

No final de mais um ano, renovo os meus melhores cumprimentos e os votos de Feliz Ano Novo cheio de sucessos pessoais e académicos para todos os docentes, discentes e funcionários da FMUL.

Lisboa, 26/12/2012


José Fernandes e Fernandes
Director da FMUL
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