News nº 1 | Novembro de 2008
Auscultar FMUL
Adaptabilidade dos Estudantes à Reforma Curricular de 2007-2008

Prof. Doutor J. Fernandes e Fernandes,
Prof.ª Doutora Carlota Saldanha,
Lic. Pedro Marçal

Direcção e Gabinete de Planeamento e Avaliação
gpa@fm.ul.pt 
(+351) 217985188

O processo de reforma do currículo médico, na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL), iniciou-se no ano lectivo de 2007-2008 envolvendo os 1º, 4º e 5º anos, e abrangerá a totalidade dos semestres até ao ano académico de 2009-2010, onde estará completado. 

A decisão de promover uma nova Reforma do Ensino Médico na FMUL decorreu da necessidade de modernizar o nosso modelo de ensino, aproximando-o do que é praticado nas Escolas europeias mais reputadas, foi precedido dum processo de avaliação externa conduzido por uma comissão internacional presidida pelo Prof. Doutor Fernando Lopes da Silva da Universidade de Amesterdão e constituída por Professores da Universidade de Filadélfia nos EUA e de Sheffield no Reino-Unido. 
Os objectivos globais da reforma são os seguintes:

1. Incremento do ensino das bases científicas da Medicina a par do desenvolvimento da dimensão humanista e ética da Medicina;

2. Ensino centrado no estudante, procurando desenvolver as suas capacidades de auto-aprendizagem, responsabilização individual, trabalho em equipa e interesse pela pesquisa científica;

3. Percepção da necessidade de aprendizagem e actualização permanentes que caracterizam a profissão médica;

4. Integração das matérias e redução do tempo de avaliação.

Aproveitou-se o impulso decorrente da implementação do “Processo Bolonha”, de modo a reduzir as horas de contacto, contemplando vivências dos aspectos práticos da Medicina Clínica desde o primeiro semestre e reforçando a integração horizontal e vertical do ensino, esbatendo as barreiras entre as ciências fundamentais e a medicina clínica. 

A metodologia adoptada para os objectivos educacionais baseou-se na constituição de Módulos integradores e Troncos Comuns, de modo a promover essa integração dos conhecimentos das Ciências Básicas e da Medicina Clínica e, simultaneamente, alargando o espaço de intervenção pedagógica da Medicina Geral e Familiar, que constitui um imperativo e uma necessidade dos Serviços de Saúde. 

O sistema de avaliação caracteriza-se por ser integrado, e responde ao objectivo de obter ganhos na rentabilidade do ensino - aprendizagem, com correspondência com o sistema ECTS (European Credit Transfer System). 


Plano de Estudos do Mestrado Integrado em Medicina da FMUL.


Uma das componentes práticas do sistema de garantia de qualidade do ensino superior, assenta na avaliação (evaluation) efectuada pelos estudantes que participaram nas experiências e vivências do ensino - aprendizagem. Para o efeito a Universidade de Lisboa colocou online questionários destinados aos alunos cujas respostas estão a ser introduzidas em bases de dados para processamento estatístico. Consequentemente, nesta data, não possuímos os indicadores referentes à evaluation mas temos as classificações finais obtidas pelos alunos que fornecem informação sobre os ganhos educacionais e constituem indicadores do sistema da garantia de qualidade. 

Pretendeu-se conhecer a adaptabilidade dos estudantes à nova reforma curricular em termos de ganhos educacionais. Para responder a esse objectivo procedeu-se à recolha das classificações finais obtidas pelos alunos dos 1º e dos 4º e 5ª anos. Nas Tabelas 1 a 4 indicam-se os conteúdos temáticos, as horas de contacto e respectivos ECTS pertencentes aos anos curriculares em estudo. Nos 4º e 5º anos há blocos rotativos, isto é, os conteúdos de cada semestre decorrem em paralelo, frequentados por metade do número total de alunos.

Considerámos como grupo “A” os alunos do 1º ano, recém chegados do ensino secundário, e como grupo “B” os estudantes dos 4º e 5º anos que como sabemos efectuaram com aprovação os anos básicos e pré-clínico (há barramento no fim do ano pré-clínico). 
Recorreu-se ao SIGES para recolha de dados sobre as idades e os valores das classificações (dados disponíveis em 26 de Setembro). Utilizou-se o SPSS para a análise estatística.

A maioria dos alunos (71,5%) do grupo “A” possuem idades compreendidas entre 18 e 19 anos, a maioria dos alunos do grupo “B” (80,8%) possuem idades compreendidas entre 21 e 23 anos. A percentagem de discentes do género feminino é superior ao masculino e semelhante em ambos os grupos (grupo “A” 68%, grupo “B” 63,5 % e 66,5% respectivamente para 4º e 5º anos). 
As Figuras 1 a 18, permitem verificar a distribuição dos valores das notas obtidas pelos alunos aprovados em cada Módulo e Tronco Comum nos grupos A e B. 








O Grupo “B” obteve melhores classificações nos Módulos V.I, VIII.I e VIII.II (Figs. 8, 11 e 14) e os alunos do Grupo “A” nos Módulo III.I e Tronco Comum I. À excepção destas o grupo “A” obteve valores de classificações inferiores às do Grupo “B”.
Os alunos dos grupos “A” e “B” completaram a escolaridade deste primeiro ano da reforma curricular, com aprovação nos Módulos e Troncos Comuns. 

Os dois grupos tiveram conhecimento do interesse da FMUL pela prática do ensino centrado no discente o que poderá ter influenciado de modo positivo o grau de satisfação, o envolvimento na aprendizagem (8) e explicar os ganhos da aprendizagem verificados. No entanto estes não podem ser associados a indicadores sobre o tipo de abordagens de auto - aprendizagem utilizadas (6,9,10) por falta de recolha de informação. 

O Módulo III.I e o Tronco Comum I tem conteúdos programáticos que mais se aproximam das motivações que os alunos do 1º ano explicitaram, aquando da solicitação feita com a aplicação do questionário de expectativas sobre o Curso de Medicina - Mestrado Integrado, nomeadamente aprender a melhorar a qualidade de vida do outro, ser útil à sociedade, adquirir competências médicas/ clínicas, realização profissional/satisfação pessoal (7).

O processo de adaptação, no conceito abrangente dos domínios cognitivos, humanísticos, sociais e logísticos, ao ensino universitário poderá ser um condicionante nos valores das classificações obtidas pelos alunos do 1º ano. Estas, são inferiores às registadas no processo de ingresso à FMUL, à semelhança do que observado em anos escolares anteriores. 
O programa de tutores, docentes conselheiros, em vigor na FMUL constitui um meio de apoio às dificuldades de adaptação pela possibilidade de oportunidades que criam ao diálogo e à comunicação entre os estudantes e docentes (3). 
Relativamente aos alunos do 4º e 5º anos apresentaram classificações superiores às do 1º ano o que parece traduzir melhor adaptação à reforma curricular justificada pelo background científico, de desempenho e atitudes e talvez por terem adquirido melhor controlo sobre o estado de ansiedade (4,5).

Em resumo, parece legítima a conclusão que os alunos dos 1º, 4º e 5º anos de 2007-2008 se adaptaram à nova reforma curricular iniciada na FMUL. O seu impacto final terá que ser apreciado sucessivamente nos diferentes semestres e constitui um objectivo e um imperativo que a FMUL considera indeclinável e que permitirá monitorizar a implementação da Reforma Curricular e corrigir alguns problemas que possam comprometer a sua eficácia pedagógica e aceitação pela comunidade dos seus alunos e professores.


Bibliografia

1. Damjanov I, Fenderson BA, Hojat M, Rubin E – Curricular reform may improve students’ performance on externally administered comprehensive examinations. Pathology Education 2005; 46:443-448.
2. Fernandes e Fernandes J – Sessão solene de abertura do ano académico 2007-2008. Alocução oficial do director. Rev. FML 2007; 12:349-355.
3. Fernandes e Fernandes J - Relatório do Director e do Conselho Directivo (2005-2007). Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. -
4. Haryill LM, Anxiety in first year medical students. J Med Educ;1986:926-929
5. Hayes K; Feather A; Hall A; Sedgwick P; Wannan G; Wessier-Smith A; Green T; McCrorie P. Anxiety in medical students: is preparation for full-time clinical attachments more dependent upon differences in maturity or on educational programmes for undergraduate and graduate entry students? Med Educ;2004:38:1154-1163.
6. Newble DI, Clarke RM – The approaches to learning of students in a traditional and in an innovative problem based medical school. Medical Education 1986; 20:267-273.
7. Relatório – Avaliação de expectativas e motivações. Curso de Medicina – Mestrado Integrado 2004-2008. Gabinete Planeamento e Avaliação FMUL. http://www.fm.ul.pt/#634
8. Robins LS, Gruppen LD, Alexander GL, Fontone JC, Davis WK – A predictive model
of student satisfaction with the medical school learning environment. Acad. Med. 1997; 72:134-139.
9. Saldanha C – Hábitos de estudo e estilos de aprendizagem dos alunos do 1º ano da Faculdade de Medicina de Lisboa – caracterização e evolução. Rev. FML 2000; 5:313-317.
10. Shankar PR, Dubey AK, Binu VS, Subish P, Deshpande VY – Learning styles of preclinical students in a medical college in western Nepal. Kathmandu University Medical Journal 2006; 4:390-395.

Pesquisa

Pesquise sobre todas as newsletters já publicadas pela FMUL

  PESQUISAR 

Subscrição

Subscreva a nossa Newsletter e receba todas as informações actualizadas sobre actividades, notícias, eventos e outras acções relevantes da FMUL

  

  ENVIAR 

Propriedade e Edição: Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa
Periodicidade: Mensal
Diretor: Prof. Doutor Fausto J. Pinto
Conselho Editorial: Prof. Doutor Fausto J. Pinto, Prof. Doutor Mamede de Carvalho, Profª. Doutora Ana Sebastião, Prof. Doutor António Vaz Carneiro, Prof. Doutor Miguel Castanho, Dr. Luis Pereira
Gestor de Informação: Ana Raquel Moreira
Equipa Editorial: Ana Cristina Mota, Ana Raquel Moreira, André Silva, Maria de Lurdes Barata, Rui Gomes, Sónia Barroso
Colaboração: Unidade de Relações Públicas e Comunicação - Bruno Moura
Conceção e Suporte Técnico: UTI 
Design e Implementação: Spirituc
e-mail: news@medicina.ulisboa.pt
Morada e Sede da Redação: Avenida Prof. Egas Moniz, 1649-028 Lisboa


Estatuto Editorial


Anotado na ERC