News nº 5 | Abril de 2009
Notícias FMUL
Prática Clinica Tutoral de Medicina Tropical – Os Estágios em Angola e Cabo Verde
Prática Clinica Tutoral de Medicina Tropical – Os Estágios em Angola e Cabo Verde
Prof. Doutor Francisco Antunes
Prof. Catedrático da FMUL,
Director da Clínica Universitária de Doenças Infecciosas Parasitárias

A Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL) criou, em 1999, o ensino da Medicina Tropical, como disciplina optativa, por forma a sensibilizar os alunos de medicina para a aprendizagem e o aperfeiçoamento na identificação de problemas relacionados com a Saúde Pública em regiões tropicais, na observação e identificação dos principais agentes das parasitoses, na identificação laboratorial das principais doenças hematológicas e dermatológicas tropicais e na observação de casos clínicos. 

A dificuldade em encontrar doentes com patologia genuinamente tropical, no Hospital de Santa Maria e nos hospitais afiliados, levou à necessidade de se criarem protocolos de cooperação com hospitais em países africanos lusófonos, por forma a possibilitar, a alguns dos alunos que tivessem frequentado a Disciplina de Medicina Tropical, a Prática Clínica Tutoral junto da unidade clínica especializada. 

Em Setembro de 2004, foi aprovada a Prática Clínica Tutoral em Cabo Verde, pelo despacho 72/2004 do Director da FMUL, 
sendo-lhe atribuído o respectivo valor em unidades de crédito, previsto pelo protocolo de cooperação assinado com o Hospital Agostinho Neto, Cidade da Praia, Cabo Verde. Sucessivamente, foram assinados protocolos similares com o Hospital Américo Boavida, em Luanda, Angola (2005) e com a Faculdade de Medicina da Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo, Moçambique (2007), alargando, assim, a oferta de vagas destinadas à Prática Clínica Tutoral (em Medicina Tropical). No corrente ano prepara-se a assinatura do protocolo com o Hospital Ayres de Menezes, na cidade de São Tomé, S. Tomé e Príncipe. 

Deste modo, sete alunos da Disciplina de Medicina Tropical, do ano lectivo de 2002 - 2003, realizaram o 1º estágio de Prática Clínica Tutoral, em África, em Setembro de 2004, por um período de quatro semanas. Aproveitando esta permanência, os alunos foram incentivados a participar em projectos de investigação (previstos nos protocolos de cooperação). A este propósito, estes alunos colaboraram em dois projectos, um sobre tuberculose e outro sobre parasitas intestinais. A avaliação deste estágio foi feita pelos alunos na Revista da Faculdade de Medicina de Lisboa (2007, série III; 12: 145-162), transcrevendo-se, a propósito desta vivência dos alunos, um dos parágrafos finais do texto "Aprender a ser médico em Cabo Verde – a propósito de um Estágio Clínico": "É unânime que esta nossa experiência em Cabo Verde foi extremamente enriquecedora, temos consciência de que não foram eles que ganharam mas nós, não fomos lá ensinar mas aprender. É sem dúvida uma viagem a repetir, talvez agora noutros sítios. Recomendamos veementemente a todos aqueles que têm vontade de o fazer: partam e conheçam, se puderem olhar vejam e se puderem ver reparem… há um mundo inteiro à espera de ser descoberto". 

A partir de 2005, os estágios de Prática Clínica Tutoral, para além do Hospital Agostinho Neto, puderam contar com a participação do Hospital Universitário Américo Boavida, em Luanda, envolvendo um total de oito a nove alunos, do 4º e 5º anos da Licenciatura em Medicina. 

Em Setembro de 2007, os quatro alunos do 5º ano que realizaram o estágio de Prática Clínica Tutoral, em Medicina Tropical, no Hospital Universitário Américo Boavida, foram recebidos pelo Ministro da Saúde de Angola, Dr. Ruben Sicato, o qual referiu a enorme satisfação que Angola tinha em contribuir para a formação de médicos portugueses, realçando o interesse do Ministério da Saúde em colaborar com Portugal, em diversas áreas da Saúde. 

Para além de terem realizado o estágio clínico nos Serviços de Pediatria, Gastrenterologia, Dermatologia, Doenças Infecciosas e Parasitárias, Banco de Urgência e Laboratório de Patologia Clínica, realizaram uma visita de estudo ao Hospital da Doença do Sono, hospital este de referência de Angola para os doentes com tripanossomose humana africana e ao Dispensário Antituberculose e da Lepra. Visitaram ainda o Hospital Esperança, fundado em 2005, para prestação de cuidados de saúde aos seropositivos para VIH. A propósito deste estágio, transcrevemos um fragmento do texto publicado na Revista da Faculdade de Medicina (2008, série III; 13: 17-27): "Foi-nos dado a conhecer uma realidade muito diferente da portuguesa, contactámos com doenças que muitos dos nossos especialistas nunca tiveram a oportunidade de observar, como aquelas há muito desaparecidas do panorama nacional e experimentámos, por um mês, os constrangimentos e as dificuldades que os técnicos de saúde vivem no seu dia-a-dia, no exercício das suas profissões. Como futuros médicos sentimo-nos muito privilegiados por termos tido esta oportunidade, quer a nível pessoal, quer a nível profissional". 

Para além do estágio clínico, os alunos colaboraram na recolha de dados e de amostras para um projecto de investigação sobre Pneumocystis jirovecii em co-infectados por VIH e cooperaram na recolha de dados e de material biológico para um estudo sobre variabilidade de subtipos de VIH, resposta vírica e padrões de resistência em infectados por VIH sob terapêutica anti-retrovírica em Luanda, Angola. Com este último projecto foram co-autores de trabalhos apresentados no 46th Interscience Conference on Antimicrobial Agents and Chemotherapy, em São Francisco (2006), no 5th European HIV Drug Resistance, em Cascais (2007) e publicado no Journal of Antimicrobial Chemotherapy (2008; 61: 694-8)

Este ensino da prática clínica da Medicina, em Centros com condições assistenciais e patologia diferentes daquelas existentes nas nossas Escolas de Medicina, para além do seu carácter inovador em Portugal, é, de certo, uma mais valia do ponto de vista da aprendizagem médica e da formação humanística, que se pretendem para os alunos da FMUL.
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