News nº 6 | Maio/Junho de 2009
Reportagem / Perfil
GAPAE facilita adaptação académica através de Apoio Psicopedagógico para Estudantes
GAPAE facilita adaptação académica através de Apoio Psicopedagógico para Estudantes
Rodolfo Martins, Gabinete de Apoio e Acompanhamento ao Estudante (GAPAE)
Tel. 217985100
ext.: 44523
E-mail: gapae@fm.ul.pt

O Gabinete de Apoio e Acompanhamento ao Estudante (GAPAE) realizou em finais de 2008, em colaboração com o Laboratório de Psicologia Médica, o “Apoio Psicopedagógico para estudantes da FMUL”. Este apoio, direccionado para os estudantes do 1º e 2º ano, pretendeu abranger os problemas mais comuns de adaptação académica e dotá-los de estratégias práticas para colmatar, ou minimizar, as dificuldades e constrangimentos decorrentes dos processos adaptativos. A adaptação académica exige do estudante capacidade de resposta a todas as adversidades e condicionantes, intrínsecas a toda a mudança que implica a entrada na universidade.

A transição do Ensino Secundário para o Ensino Superior é uma etapa importante no desenvolvimento pessoal do estudante. É uma mudança, e como tal um desafio, que implica autonomização em relação à família, gestão do tempo e do dinheiro, contacto social mais alargado, etc. A adaptação académica é também, por vezes, ameaçadora podendo provocar níveis elevados de stress e ansiedade e dificuldade, ou mesmo incapacidade em gerir positivamente todas as alterações desta fase.

A entrada na Universidade pode ser uma etapa desafiante e estimulante mas pode também tornar-se algo perturbador, dando origem a desequilíbrios e desajustamentos vários relacionados com a saúde física e psicológica. Torna-se necessário agir numa perspectiva preventiva que procure facilitar a adaptação académica, pois o 1º ano da Faculdade pode ser considerado um período crítico.

Em 2006 o GAPAE efectuou um estudo, “Dificuldades de Adaptação Académica dos Estudantes do 1º ano da FMUL”, que pretendeu caracterizar o grau de adaptação académica dos estudantes que frequentavam o 1º Ano das três licenciaturas leccionadas na FMUL (slides PowerPoint disponíveis em http://www.fm.ul.pt/FMLPortal/UserFiles/File/Estudo.ppt ou resumo disponível em http://www.fm.ul.pt/index.html#3019). Utilizou-se um instrumento de despiste (QVA-r) que permitiu identificar as percepções e vivências dos estudantes durante o processo adaptativo. Esta foi uma primeira tentativa que procurou identificar as dificuldades percepcionadas pelos estudantes nesta fase. Uma das conclusões que retirámos desse estudo foi que a população estudantil do 1º ano de Medicina apresentava scores reduzidos nas dimensões Estudo e Interpessoal, tornando-se necessário definir estratégias de intervenção por forma a apoiar os estudantes nas suas diversas dificuldades adaptativas, sendo as competências de estudo e a gestão de tempo as maiores dificuldades sentidas pelos alunos de Medicina.

O Apoio Psicopedagógico para Estudantes da FMUL foi uma acção que pretendeu promover o bem-estar psicológico, o sucesso e o ajustamento académico, tendo em consideração as dificuldades identificadas no estudo anteriormente referido e o elevado número de alunos deslocados no actual 1º ano do Curso de Mestrado Integrado em Medicina. O estudante deslocado é, em muitas situações, mais vulnerável a sentimentos de isolamento e solidão, por se encontrar mais desapoiado, pela inexistência ou fraca existência de redes sociais locais. Para este grupo, a mudança é ainda maior do que para os estudantes não-deslocados, considerando-se por isso um grupo de maior risco.

No actual 1º ano do Mestrado Integrado em Medicina existem 46,97% (n=163) de estudantes deslocados, o que é um número muito significativo, uma vez que o total de alunos inscritos é 347. Para mais informações sobre o critério que nos indica o número de estudantes deslocados, bem como os distritos de origem dos alunos do 1º ano, clique aqui

Gráfico I - Estudantes Deslocados


Significativo foi o facto de todos os alunos que frequentaram esta iniciativa do Apoio Psicopedagógico serem estudantes deslocados, o que vem corroborar a ideia de ser um grupo que potencialmente necessita de maior apoio.

O Apoio Psicopedagógico foi constituído por 7 sessões desenvolvidas em dinâmicas de grupo, num ambiente informal e propenso à discussão dos problemas e dificuldades sentidas pelos 19 estudantes que integraram este grupo de apoio. (Para mais informações sobre as características deste grupo, clique aqui) As sessões desenrolaram-se numa fase em que os alunos do 1º ano tinham ingressado na FMUL há pouco tempo, mas que já lhes permitia vivenciar os problemas, constrangimentos e dificuldades do novo ambiente universitário.

Pretendeu-se com esta iniciativa desenvolver estratégias de gestão de stress/ansiedade e de tempo, promover o bem-estar psicológico e apoiar os estudantes na sua integração académica, desenvolvendo a autonomia e reforçando as competências de relacionamentos interpessoais.

Os alunos verbalizaram as dificuldades que sentiram nesta fase de adaptação:
• adaptação à condição de estudante-deslocado, com perda de redes sociais;
• dificuldades de gestão do stress decorrentes do nível de exigência das matérias curriculares;
• dificuldade em gerir o tempo de forma a efectuar atempadamente todos os trabalhos solicitados, bem como todo o estudo necessário (pouca auto-disciplina);
• acentuados níveis de ansiedade perante os exames, sintomatologia depressiva e fobias;
• expectativas demasiado elevadas e pressão por parte dos familiares, às quais referiram ter dificuldades em corresponder.

Alguns dos temas abordados nas sessões foram:
• Gestão de ansiedade e stress;
• Competitividade saudável;
• Desenvolvimento da criatividade e autonomia.

O Programa contemplava uma sessão livre que permitiu aos alunos escolher um tema/ problemática. Os estudantes escolheram gestão de tempo, gestão de stress e ansiedade pois identificaram-nas como as dificuldades mais comuns vivenciadas por todo o grupo, sentindo necessidade de adquirir estratégias práticas para lidar com estas dificuldades.

Acreditamos que esta iniciativa do Apoio Psicopedagógico enriqueceu os elementos do grupo, dotando-os de estratégias práticas para lidar com as dificuldades mais comuns desta fase, ajudando-os a desenvolver competências necessárias à adaptação e ao sucesso académico. Pretendemos continuar este tipo de iniciativa para os futuros primeiros anos e estende-la a estudantes de anos mais avançados, uma vez que se verifica existirem níveis elevados de ansiedade e stress nos estudantes de Medicina, o que poderá dificultar ou impedir o sucesso académico.
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