News nº 11 | Janeiro/Fevereiro 2010
Eventos
1º Simpósio Anual do Programa Harvard-Portugal
1º Simpósio Anual do Programa Harvard-Portugal
Profª Doutora Maria Carmo Fonseca
Instituto de Medicina Molecular 
imm@fm.ul.pt

O 1º simpósio Anual do Programa Harvard-Portugal aconteceu nos dias 14 e 15 de Dezembro, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Por lá passaram mais de 200 investigadores, médicos e estudantes de todo o país que se inscreveram, gratuitamente, no evento. Foi um encontro marcado pela elevada qualidade científica das palestras e pela adesão massiva dos estudantes de medicina, num claro indício da importância deste evento como ponto de encontro das jovens promessas da medicina e investigação em Portugal. 

A iniciativa insere-se no âmbito do Programa Harvard Portugal, que visa encorajar a internacionalização da investigação médica portuguesa, bem como promover a cooperação entre as escolas médicas nacionais e os centros de investigação biomédica. O Programa desenvolve-se em três linhas de acção: um programa de investigação clínica e translaccional, a formação médica avançada e a produção de informação de saúde em língua portuguesa, dedicada ao público em geral e a estudantes e profissionais de saúde. 

Do programa científico do simpósio constaram temas como as novas terapias baseadas no RNA e os recentes avanços na investigação em cancro e envelhecimento, entre outros. Todos os oradores convidados - investigadores de renome internacional - proporcionaram excelentes palestras e momentos de discussão muito concorridos pela assistência. 

Robert A. DePinho foi o primeiro orador do simpósio. Para que não restassem dúvidas da importância dos telómeros – a parte terminal dos cromossomas - o cientista relembrou que o prémio Nobel da Medicina de 2009 foi atribuído a investigadores que descobriram a forma como os telómeros protegem os cromossomas, falou da relação entre a dinâmica destas estruturas e o cancro e o envelhecimento. Este médico norte-americano director do Belfer Institute for Applied Cancer Science (que faz parte do Instituto de Cancro de Dana-Farber), é professor de medicina e genética na Escola Médica de Harvard e investiga, há mais de uma década, o funcionamento dos telómeros. 

Na palestra dada por Benedita Rocha, a investigadora defendeu que a maior interrogação dos imunologistas é a capacidade de divisão das células do sistema imunitário, sob dois aspectos: a capacidade de um linfócito não diferenciado poder originar mil biliões de biliões de células e a enorme capacidade de replicação que estas células mantém depois de diferenciadas – algo que não se observa noutros tecidos. Por isso, a equipa da médica e cientista da Faculdade de Medicina René Descartes de Paris está determinada em perceber o que se passa no ciclo celular das células do sistema imunitário, em particular o que se passa com as ciclinas do tipo D, uma família de moléculas envolvida no ciclo celular. Segundo a investigadora, os estudos desenvolvidos pela sua equipa alteram a perspectiva sobre o papel das ciclinas durante o ciclo celular, obrigando a rever também o que se julga acontecer noutros tecidos celulares. 

Como referiu na sua palestra, Adriano Aguzzi está obcecado com os priões há 20 anos, antes e depois destas estranhas proteínas ficarem na ordem do dia devido à doença das vacas loucas. Os priões são proteínas com uma estrutura anormal capaz de converter outras proteínas saudáveis em proteínas com estruturas anormais. Se uma molécula destas chega ao cérebro pode perverter outras moléculas e causar demência, como é o caso da doença de Creutzfeldt–Jakob, ou encefalite espongiforme. A palestra de Adriano Aguzzi, do Instituto de Neuropatologia na Universidade Hospital de Copenhaga, focou-se em aspectos intrigantes da biologia dos priões como, por exemplo, como é que estes agentes infecciosos alcançam o cérebro e porque razão o sistema imunitário não evoluiu de forma a combater os priões. 

Nuno Sousa está interessado nos efeitos negativos do stress crónico, que desencadeia alterações importantes no cérebro. O investigador, que lidera uma equipa na Universidade do Minho, iniciou a sua palestra explicando que, se o stress crónico não causa a morte celular no hipocampo, pelo menos diminui o seu volume. Durante a palestra, Nuno Sousa falou ainda de como os investigadores detectaram já ligações entre esta diminuição de volume e sinais de depressão e doença dos mecanismos, através dos quais o stress crónico induz perda de volume cerebral em ratinhos e dos efeitos que o stress opera na memória e comportamento. 

As novas terapias contra o HIV/SIDA podem vir a basear-se em processos biológicos celulares que não se conheciam há 20 anos. Judy Lieberman trabalha na Escola Médica de Harvard, em Boston, e pretende utilizar a interferência de RNA como arma terapêutica. A interferência de RNA é um processo descoberto há pouco mais de uma década e que tem a capacidade de impedir a expressão dos genes. Judy Lieberman descreveu os estudos realizados pela sua equipa para produzir uma droga capaz de impedir a transmissão de HIV por contacto vaginal. 

A palestra de Aaron M. Cypess foi inteiramente dedicada a um tipo de gordura pouco falada, a gordura castanha. A gordura castanha é associada, quase exclusivamente aos bebés, e aos animais que vivem em zonas frias. Este tipo de tecido, que se acumula especialmente na zona dos rins e no pescoço, tem como função libertar calor para manter a temperatura corporal, em vez de promover o armazenamento de lípidos como a gordura “normal”. O que a equipa de Aaron Cypess mostra nos seus estudos é que a gordura castanha também está presente nas pessoas adultas, sugerindo ainda que poderá ser uma fonte complementar de combate à obesidade. 

A malária é causada por um parasita que tem como hospedeiros um mosquito e o ser humano, matando mais de um milhão de crianças por ano. A investigadora portuguesa Maria Mota, líder de uma equipa sediada no Instituto de Medicina Molecular em Lisboa, defende que existem muitas questões biológicas ligadas à doença a que é necessário responder. Uma das mais importantes é o grau de interligação que as fases humanas da doença têm entre si. A investigadora está, particularmente, interessada em estudar a ligação entre a fase hepática, que antecede o aparecimento de sintomas, e a fase sanguínea, durante a qual se revela a doença, sendo que os resultados que a sua equipa obteve até agora sugerem que é contraproducente estudar as fases da doença independentemente. 

Dyann Wirth também falou sobre o combate contra a malária, realçando o problema da resistência desenvolvida pelo parasita da malária contra as drogas usadas para a erradicação da doença. O trabalho de Dyann Wirth, directora da Iniciativa para a Malária de Harvard e uma especialista sénior desta e de outras doenças tropicais, foca-se na genética do parasita, com o objectivo de identificar quais os medicamentos contra os quais o parasita da malária terá maior probabilidade de desenvolver resistência e fabricar novos cocktails capazes de melhores resultados.

Este foi o primeiro de uma série de simpósios do Programa Harvard Portugal. Contamos com a presença de todos na próxima edição!
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