News nº 11 | Janeiro/Fevereiro 2010
Eventos
VI Conferência da Indústria Farmacêutica
VI Conferência da Indústria Farmacêutica
Carlos André  
Equipa Editorial
carlos.andre@campus.ul.pt 

O Desenvolvimento pela Inovação em Saúde.
Com apresentação e moderação do Prof. Doutor João Lobo Antunes, Docente da Faculdade de Medicina da Universidade, de Lisboa (FMUL), a presença de dois Secretários de Estado e mais um leque de personalidades relevantes na área da saúde, o hotel Ritz, em Lisboa, foi o palco, no passado dia 28 Janeiro 2010, da VI Conferência da Industria Farmacêutica, patrocinada pelo Diário Económico e pela MSD (Merck, Sharpe & Dohme), este ano direccionada para as doenças do cérebro. 

Um dos primeiros oradores, o Secretário de Estado da Ciência Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, referiu a necessidade de desenvolver um programa na área Biomédica e salientou, há quase um ano, a esse propósito, a implementação de um programa entre a FMUL e a Harvard Medical School, no sentido de reforçar a investigação de translação. Numa análise à Investigação e Desenvolvimento (I&D) referiu que, em 2008, essa despesa em I&D passou para 2,8% do PIB, ultrapassando a taxa de outros países desenvolvidos, quando em 1982 era de 0,3% do PIB. A importância deste sector reflecte-se na taxa de crescimento das publicações científicas onde, entre 2000 e 2008, na área das ciências médicas e da saúde, houve um crescimento de 185%.

O Secretário de Estado salientou que, neste momento, no país existem 7 investigadores por 1000 activos, com uma percentagem elevada de mulheres, tendo aumentado exponencialmente o número de novos doutoramentos em ciências da saúde e biociências. O Secretário de Estado evocou, ainda, o estímulo crescente à investigação de translação, nomeadamente, o programa Harvard Catalyst interligando hospitais, Faculdades de Medicina e centros de investigação. 

Doenças do cérebro afectam 27 milhões de europeus.
Outro dos intervenientes, Patrick Brundin, Professor de Neurociência da Universidade de Lund, na Suécia, abordou a inovação com enfoque nas doenças de Parkinson e Alzheimer, patologias que são as mais frequentes mas que são também as mais dispendiosas. A procura de novos medicamentos e de novas formas de terapia é difícil e com um custo elevado, sublinhou o investigador sueco. Patrick Brundin referiu que cada nova terapia, entre o início da investigação e a entrada em comercialização, custa entre 800 a 1.000 milhões de euros. O progressivo envelhecimento da população leva a uma cada vez maior incidência das doenças neurológicas. Ainda segundo o cientista da Universidade de Lund, cerca de 27 milhões, dos 266 milhões de Europeus, são portadores de uma doença de foro cerebral, as quais representam, neste momento, cerca de 35% das doenças registadas na Europa. Em 2050, prevê-se que sejam 100 milhões.
Conseguir prevenir doenças como a Alzheimer é um desafio grande, até porque as terapias existentes são insuficientes, porque não conseguem travar essas doenças e cada uma delas é um caminho progressivo para a incapacidade, disse. “Será que vamos querer saber que daqui a 20 anos vamos ter determinada doença, especialmente se não houver terapia para ela?”, questionou Patrick Brundin. 

Neurociências, os avanços e os desafios que se colocam.
O Prof. Doutor João Lobo Antunes falou dos desafios éticos das Neurociências a partir das quais várias disciplinas, como Neuromarketing, Neurotecnologia, Neuroestética (John Rogers Searle), Neurofilosofia (António Damásio), se têm desenvolvido, colocando várias questões éticas, legais e sociais, porque lidam com o juízo moral, a verdade, o livre arbítrio e o determinismo referiu, o Prof. Doutor Lobo Antunes. Questões tanto mais importantes, porque o “cérebro é especial”. Abordou também o controle farmacológico com o uso de fármacos para memórias indesejáveis e que tem experimentação militar. O neurocirurgião referiu a importância de perceber até que ponto a humanidade tem o direito de agir sobre factores pré-determinados, escolhendo umas características genéticas e eliminando outras e convém, reflectir sobre a ética da investigação sobre a inteligência.

O Prof. Doutor Lobo Antunes referiu que existe uma base genética da inteligência e a esse propósito, segundo um estudo holandês, entre 1952 e 1982, o QI aumentou 20 pontos, mas considerou que ao influir na escolha das características genéticas podemos esta a “criar uma sociedade em que umas pessoas são ricas geneticamente e outras pobres”. Apesar de tudo, considerou, perante a plateia, que as questões éticas levantadas pelas neurociências têm sido rapidamente respondidas. “A boa ciência gera boa ética, mesmo quando isso obriga a riscos morais”, considerou o Prof. Doutor Lobo Antunes. (apresentação) - “Desafios Éticos das Neurociências

Na sua intervenção o ex-ministro da saúde, Dr. António Correia de Campos, frisou que o aumento da esperança de vida implica um aumento de doenças neuro-degenerativas que duplicam a cada vinte anos. “A União Europeia (UE) tem modas. Doenças como o HIV e o cancro já foram moda na UE, agora são as doenças do cérebro”, referiu o ex-governante. No seu entender, o investimento em I&D, mais a inovação, assumem um elevado potencial de retorno. Mas, apesar do custo elevado das doenças neurológicas, o investimento em I&D, na Europa, fica pelos 1%, 7 vezes menos que nos Estados Unidos. Nesse aspecto, o investimento fica aquém da vontade de liderança da UE no desenvolvimento, considerou o Dr. António Correia de Campos. 

Dr. Rogério Gaspar, Professor da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, na sua apresentação alertou para a taxa de insucesso na investigação clínica. Assim, referiu que “… no desenvolvimento de novos fármacos existe um enorme aumento dos custos de investigação, um peso crescente do atrito, ou seja, a taxa de insucesso que ronda os 95%, só 5% da investigação entra para o mercado de novos medicamentos”, disse o Dr. Rogério Gaspar, especialista em Nanomedicina. Considerou, ainda, que em relação aos anos noventa, tem havido uma diminuição das moléculas a serem colocadas no mercado, a investigação custa cada vez mais caro, mas considerou o Professor que “é importante a responsabilidade ética de olhar para a investigação que é translacionável no sentido de passar da pré-clínica à clínica e dar acesso aos doentes”. (apresentação) - “Nanomedicine : R&D after30 years of clinical experience and the issue of access to new Technologies” 

Um dos oradores, Diogo Vasconcelos, administrador executivo da Digital Europe, Reino Unido, focou o seu discurso na importância de reinventar a Europa através da inovação. Considerou que “se no meio da crise se tem disposição para a mudança, então este é um momento de desafio para a Europa assegurar a sustentabilidade do seu crescimento pela inovação”. No seu entender, a inovação e investigação devem de estar alinhadas com os principais desafios sociais para se sair da crise da melhor maneira. Salientou que, a inovação é antes de mais sinónimo de novas solução, nas infra-estruturas, nos modelos de financiamento, na desburocratização de processos e nas sinergias entre países, citando, a esse propósito, um dos mais conceituados economistas do século XX, considerado o profeta da inovação, Joseph Schumpeter. (apresentação) - ”Reinventing Europe through Innovation”. 

Comunidade científica mais atenta às doenças do foro cerebral.
Coube ao Secretário de Estado Adjunto da Saúde, Manuel Pizarro, fazer a última intervenção da conferência, salientando que “há um padrão que se vai modificando, fazendo com que Portugal tenha hoje um conjunto considerável de empresas com um enorme portefólio em inovação”. Deu, aliás, como exemplo, a exportação de medicamentos, que superou os 400 milhões de euros em 2008, sendo superior à exportação do vinho do Porto, referiu o Secretário de Estado, aludindo ao bom momento da indústria farmacêutica. 

Dar novas respostas ou diminuir a severidade dos sintomas de doenças neurológicas graves como Parkinson, Alzheimer ou Esclerose Múltipla, foram os desafios mais importantes lançados nesta conferência, onde a investigação e a inovação foram, também, temas em destaque e onde ficou patente a importância crescente dada pela comunidade científica às doenças do cérebro.
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