News nº 14 | Maio de 2010
Mais e Melhor
Rastreios da Associação de Estudantes da FMUL
Carolina Canhoto
Aluna do 4.º Ano do M.I.M. 
carolinacanhoto@gmail.com  





O rastreio à periferia surgiu como mais uma actividade desenvolvida pelo Departamento de Saúde Pública, Reprodutiva e SIDA, da Associação de Estudantes da Faculdade de Medicina de Lisboa (AEFML). Existiam dois locais de possível eleição pelo corpo estudantil interessado: Crato e Grândola.

Após a selecção dos interessados por sorteio, foi dada uma curta explicação, na véspera da partida, sobre cada um dos aparelhos que iríamos utilizar e qual o circuito que tinha ficado estabelecido para o decorrer do rastreio.

Definido ficou, então, que teríamos 3 estações: medição da tensão arterial, glicemia e colesterol e, como elemento integrador, aconselhamento geral. Cada estação era orientada pelos valores estabelecidos nas guidelines europeias e, na última estação, faríamos a correspondência com o risco cardiovascular total. O objectivo, para dar a mesma oportunidade a cada aluno, era que se rodasse por todas as estações. Isto impediria que as acções se tornassem monótonas e rotineiras, diminuindo os eventuais erros ou dessensibilização.

Assim sendo, na manhã do dia 9 de Abril chegámos ao município do Crato para medições e contactos humanos em série.

Apesar do nosso ar jovem e, aos nossos olhos, claramente pouco experiente, fomos recebidos, em todo e cada um dos locais, de forma entusiasta e com um certo “nervoso miudinho”, de que nos conseguíamos aperceber; ainda assim, este foi atenuado pelo facto de ninguém vestir bata ou usar estetoscópio ao pescoço.

No decorrer do rastreio houve sempre uma ansiedade que se alastrava a toda a sala, qual torvelinho! Damos logo daqui uma ideia de quão pacífica e silenciosa toda a acção se revestia. As salas tornavam-se definitivamente animadas, ao ponto de termos vizinhos e amigos a comparar os seus resultados à laia de competição.

A estação de Tensão Arterial era passada, na sua maioria, a tentar discernir se o valor obtido era resultante da toma ou esquecimento dos medicamentos dos próprios. Por vezes existiam verdadeiros campos de batalha para reforçar a ideia que era importante manter o esquema terapêutico todos os dias, ou que convém medir regularmente a tensão arterial. Sugerimos múltiplos estratagemas e truques, todos os que nos conseguimos lembrar, para não esquecer de tomar a medicação. Como casos mais raros, tivemos pessoas que nos levaram toda a medicação que faziam, como se de uma verdadeira consulta se tratasse!

Nas medições de glicemia e colesterol foram feitos malabarismos com os dedos calejados e endurecidos do trabalho ao sol, em tom jocoso diziam que “não tenho sangue” ante a nossa persistência a raiar o desespero na colheita da amostra.

O verdadeiro trabalho (e carga de trabalhos também) vinha na última estação, a de aconselhamento e sensibilização. Havia sempre quem ficasse com ar desolado ao ouvir que era necessária uma maior moderação com o enchido, o álcool e o sal, até porque o peixe era tido quase como alimento vil e inimigo de uma farta mesa.

Esta actividade permitiu que os alunos dos vários anos partilhassem experiências e convivessem, assim como se desse uma inter-transmissão de conhecimentos. Este último aspecto notou-se particularmente no decorrer do rastreio para aconselhar e direccionar as pessoas com quem lidávamos.

Conseguimos fazer, numa perspectiva algo intimista, deste rastreio um momento enriquecedor devido a uma perspectiva mais abrangente com que ficamos da realidade que nos esperará, um dia, como futuros clínicos. Este foi uma boa representação prática de uma acção local que se pode repercutir numa consequência global.
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