News nº 14 | Maio de 2010
Momentos
Implicações do Exercício Físico no doente
J. Fonseca Esteves 
Presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Desportiva
fonsecasteves@gmail.com


A actividade física, lúdica ou de manutenção e a prática desportiva sem carácter competitivo são benéficas na prevenção e terapêutica de algumas doenças. Porque está demonstrado o seu benefício em alguns estudos, mesmo sem evidência científica de muitos dos seus mecanismos, grande parte das especialidades médicas aconselha o exercício físico ligeiro a moderado.
Na prática, está comprovado o seu benefício na diabetes, na doença coronária, na hipertensão arterial ligeira a moderada, na dislipidémia e na osteoporose. 

Nas neoplasias do cólon, em algumas síndromes depressivas e nos doentes imunodeprimidos, o exercício pode ter efeitos muito positivos como complemento terapêutico. Contudo, está por determinar, para cada caso e patologia, a relação dose/ efeito de exercício para se obter o efeito benéfico. 

Os efeitos hemodinâmicos responsáveis pelas modificações nos órgãos e sistemas dependem do tipo, intensidade e duração do exercício e se é de predomínio dinâmico, estático, misto ou contínuo/intermitente. O perfil fisiológico de cada exercício e o conhecimento das acções metabólicas, por eles induzidas, constituem o verdadeiro problema. 

Qual é o exercício mais indicado para aumentar a densidade óssea na osteoporose? O exercício dinâmico contínuo ou o exercício estático intervalado? E no doente coronário, antes e pósangioplastia? E no doente com hipertensão moderada a grave? De baixa intensidade e continuo ou de curta duração, intensidade moderada e alternado? 

Estas questões deveriam ter respostas, aconselhamento e seguimento clínico caso a caso, o que nem sempre se verifica. Mas, como de uma maneira geral são mais os benefícios do que os riscos na prescrição de exercício, é comum os médicos recomendarem, diariamente, ou em dias alternados, 30 minutos de exercício ligeiro a moderado, com controlo, caso a caso, da frequência cardíaca. A maioria das doenças atrás referidas produz grande impacto na economia de muitas nações, em consequência do combate tardio aos múltiplos factores de risco e, também, à quebra de produtividade provocada por essas doenças. 

O sedentarismo, o tipo de alimentação, o estilo de vida e a iliteracia, que hoje existem nas actuais sociedades consumistas produzem estas doenças que não poupam os escalões etários mais jovens, fenómeno que deveria merecer especial atenção das entidades públicas. 

Sociedades mais desenvolvidas, reconhecendo as graves consequências sociais e económicas que essas doenças provocarão num futuro próximo, sobretudo a obesidade e a diabetes, investiram precocemente na prevenção primária, implementando programas obrigatórios de actividade física e desporto para as crianças e adolescentes. 

Pretende-se, assim, que sejam adquiridos hábitos saudáveis nas escolas e no seio de cada família e que estes perdurem no ensino superior, de modo a que o exercício físico passe a ser uma necessidade e um prazer e se mantenha o mais possível durante a vida. O conhecimento actual de alguns mecanismos que demonstram o beneficio da prática da actividade física moderada e regular na população em geral podem resumir-se de um modo sintético em: 

1. Efeitos na função endotelial, estimulando, para além de outros factores, a libertação de óxido nítrico, um potente vasodilatador;
2. Acção anti-aterogénica sobre factores de risco, como a redução dos triglicéridos, aumento da HDL, diminuição da pressão arterial ligeira a moderada, aumento da actividade fibrinolítica e da sensibilidade à insulina;
3. Anti–isquémicos por vasodilatação coronária, melhoria da circulação colateral e redução da frequência cardíaca, dando maior aporte de oxigénio ao cardiomiocito;
4. Efeito regulador no sistema nervoso autonómico, diminuindo a actividade simpática e podendo estimular o tónus vagal;
5. Favorece a actividade anti-inflamatória no endotélio, diminuindo a aderência das plaquetas à parede vascular e, sistemicamente, aumenta temporariamente os leucócitos circulantes;
6. Efeito anti-arrítmico em doentes com hipersensibilidade simpática.

Bibliografia:
Endothelial dysfuntion in patients with chronic heart failure: systemic effects of lower-limb exercise training; Linke A et al; J Am Coll Cardiol ; 2001 Feb ;37 (2) ;392 - 7
Effect of different intensities of exercise on endothelium- dependent vasodilation in humans ; role of endothelium – dependent nitric oxide and oxidative stress ; Goto C et al ; Circulation,2003 aug 5;108 (5):530 - 5
Superior cardiovascular effect of aerobic interval training versus moderate continuous training in heart failure; a randomized study; Wisloff U et al; Circulation 2007 Jun 19 115 (24): 3086-94
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